sábado, 20 de novembro de 2010

Visita à Bienal Leandro Fredo - RGM: 20939-2

“My African Mind” (2009) – Nastio Mosquito

Nascido em 1981 em Angola, na região de Luanda, Nástio Mosquito transpõe para suas músicas, vídeos e performances as experiências de viver em um país em reconstrução. Nástio de nome próprio, Mosquito de apelido. Ao que consta, usa e abusa de pseudônimos, projetos, encarnações e modalidades musicais nos mais diversos campo das artes.

“My African Mind” é uma obra em videoarte realizada por Nástio Mosquito, com a colaboração do mecenas espanhol Pete Otrín em 2009. Utilizando linguagem de vídeo norte-americana, algo que lembra muito a linguagem de documentários, Mosquito transpõe em vídeo, a visão que o típico cidadão europeu tem do negro e do continente africano.
No vídeo são utilizadas imagens de arquivos históricos, desde a colonização do continente africano em meados do século XIX, passando pelo século XX, com a presença do negro na cultura Pop em geral, dos quadrinhos à Hollywood.
O Vídeo começa com uma tela preta, com um som de floresta ao fundo, uma voz em off nos apresenta o personagem principal: “O monstro negro saudável”. Logo, somos bombardeados por um turbilhão de imagens, representando com ironia e humor os estereótipos e conflitos da relação dos brancos com a África.


“Beggars” (2010) - Kutlug Ataman

Kutlug Ataman é um cineasta expressionista. Nascido em 1961 na Turquia, graduou-se em cinema na Universidade de Los Angeles. Ataman é conhecido por produzir filmes no estilo “pseudo-documentário” onde procura retratar situações pessoas que vivem à margem da sociedade.

“Beggars” representa, em seis telas diferentes, situações onde mendigos pedem esmola. Dor, tristeza, sofrimento, fome, frio, humilhação, é isso o que todos os mendigos expostos nessa arte devem sentir; as vezes parecem nem se mexer, as vezes parecem ser tão reais, uma realidade a qual não é difícil termos acesso.
As telas são grandes e possuem uma ótima definição, ao entrar no espaço reservado à obra, temos imediatamente a sensação de que os pedintes realmente estão ali, agonizando.
A Obra foi realizada com atores, segundo um dos guias da Bienal, o artista considera o próprio ato de mendigar uma espécie de atuação teatral, por isso o resultado final soa tão realista e ao mesmo tempo comovente, além de propiciar uma espécie de interação mórbida entre o espectador e a obra.


 “Bureau for Research into Brazilian Normality” (2010) - Jimmie Durham

O artista norte-americano Jimmie Durham se considera um cidadão do mundo. O engajamento contra a exploração e a extinção de tribos indígenas ocupa um lugar central em sua obra. Nascido em 1940, foi representante do movimento indígena americano na ONU e expôs em diversas mostras internacionais ao longo da carreira.

“Bureau for Research into Brazilian Normality”, ou “Centro de pesquisa da Normalidade Brasileira”, é uma crítica ácida à sociedade brasileira. Com muita ironia, Durham ridiculariza a chamada americanização, principalmente do paulistano médio, que segundo o artista, se amontoam em prédios, a maioria com nomes estrangeiros.
Como não poderia deixar de ser, Duhham aborda a questão indígena de maneira curiosa. Comparando o paulistano moderno aos bandeirantes, que seriam os grandes patriarcas do passado. A passividade, a indiferença mais completa sobre o genocídio indígena é representado em diversas partes da obra.
A Obra ocupa uma sala na bienal e possui vários artefatos curiosos, o que mais me chamou a atenção foi o manequim, devidamente trajado de terno, com uma arma na cintura e uma espingarda enfiada na bolsa, juntamente com o equipamento de golfe. Na legenda: “bandeirante, 2010”



“Escapement” (2009) – Raqs Media Collective

Raqs Media Collective é um grupo de artistas indianos focados em processos culturais. Formado por Monica Narula, Jeebesh Bagchi e Shuddhabrata Sengupta, surgido em 1992. O grupo esteve presente em importantes mostras internacionais como a Documenta de Kassel (Alemanha) e a Bienal de Veneza.

Na Obra “Escapement”, o grupo nos apresenta um ambiente circular, cheio de relógios, com cada um representando uma localidade do mundo, mas, ao invés de marcar as horas, esses relógios marcam sentimentos e emoções. Os ponteiros passeiam por palavras como êxtase, culpa, dever, ansiedade e medo.
São 27 relógios expostos em diferentes alturas. No meio da instalação, há um pilar com quatro vídeos, nos quais um rosto se move constantemente, mas sem alterar sua expressão, como se fosse apenas um marcador das emoções representadas nos relógios.
Ao entrar no ambiente reservado à obra, temos a sensação de penetrar em um ambiente frio, quase estéril, o que contrasta intensamente com as emoções e sentimentos representados no relógio, assim como a face na tela, que permanece indiferente às emoções do mundo.


“Pacavoa” (2010) – Nelson Leirner

Nelson Leirner é um pintor, desenhista, cenógrafo brasileiro. Nascido em 1932, em São Paulo, Nelson Leirner marcou a cena artística brasileira dos anos 60 com suas atitudes provocativas que iam contra o circuito das artes. Reside atualmente nos Estados Unidos.

Em “Pacavoa”, o artista representa uma paca empalhada, devidamente posicionada em uma máquina voadora primitiva projetada por Leonardo da Vinci, mas nunca construída. A obra fica suspensa, sustentada por cabos, dando a impressão que de está voando.
Além da peça em si, o ambiente da obra nos apresenta projetos e esboços do estudo da engenhoca voadora de Leonardo da Vinci, mostrando que seu projeto foi seguido com extrema fidelidade.
Em um primeiro momento, o espectador pode até ser levado ao riso, ao chegar ao questionamento “e se as pacas voassem?”, como provavelmente sugere seu criador, mas é impossível não refletir que, na época em que Da Vinci projetou sua engenhoca, estávamos tão perto dos céus quanto as pacas.

Por Leandro Fredo - RGM: 20939-2

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